E a FIFA, hein?

Por Luis Felipe dos Santos
luisfelipe@gmail.com

Fiquei sabendo que, lá do firmamento, o eterno presidente do Internacional Antenor Lemos não apenas manda emails, como tem acesso à televisão. Soube por alto que, nesta semana, um grande jornal do Estado deu como matéria de capa a retirada do nome da FIFA do letreiro de Campeão do Mundo presente no Beira-Rio. Eu dei à notícia o mesmo significado que ela deveria ter – nenhum. Quando recebi o email de Antenor, fiquei apavorado com a repercussão que teve o fato entre os torcedores.

Como imaginei que muitos colorados também estariam indignados, resolvi publicar a carta. Ela segue adiante.

Caro co-irmão e rival,

Acompanho daqui, bem de longe, o teu êxtase. Parece que a tua vitória mais importante deste ano aconteceu quando tiraram aquelas quatro letras do painel do Beira-Rio. Passo os olhos pelo mundo: só o que vejo são as tuas gozações e troças pelo fim das quatro letrinhas. Vejo na tevê uma placa com a inscrição “FIFA NÃO”. É um júbilo só.

Entendo perfeitamente toda essa celeuma. Perdeste a grande taça da América para aquele argentino que te atropelou sem piedade, dentro e fora de casa. Sem a grande taça, não podes conquistar a menor. Enxuta em tamanho, mas imensa em significado.

A taça dourada, de corpo platinado, que traz no seu topo o globo terrestre. O mundo inteiro, caro rival. Em ouro e platina, toda a morada dos homens, em terra e água. Américas, Europa, África, Ásia e Oceania. Se fosse possível o futebol no gelo, também teria a Antártida. Aquela taça, que contém o mundo inteiro no seu topo, traz quatro letras na sua base. Aquelas mesmas quatro letras que foram retiradas do letreiro, por uma questão pequena de direitos autorais: FIFA.

Juro, caro rival: tentei com todas as forças retirar aquelas letras da taça. Para ver se “tudo estava em seu lugar” mesmo, como proferiu aquele homem na televisão. Encarnei em um funcionário do clube, numa madrugada, e fingi um surto psicótico. Tentei jogar no chão, quebrar, arrancar, usar maçaricos, até os dentes: nada adiantou. As letras não saem de jeito nenhum. Não era minha intenção acabar com a tua alegria, rival, mas não posso ignorar os fatos. Aquelas quatro letras podem sair de qualquer lugar, mas nunca vão sair do troféu.

Caro rival, soube que tu tens no teu memorial uma taça antiga, obsoleta, já com o metal gasto. Soube que deste a ela o nome de Mundial, embora ela só traga o desenho de dois continentes – Cristóvão Colombo veio me dizer que isto era um absurdo, mas eu pedi compreensão. Sei que o teu maior desejo é trocar esta antiga copa por uma nova, com a inscrição FIFA embaixo e o mundo inteiro no seu topo. Percebo que, enquanto esse teu louco desejo não é saciado, encontras qualquer maneira de expressar despeito.

Porém, sei que quando tu tiveres nas tuas mãos uma taça como a minha, em ouro e platina, com o mundo inteiro no topo e as quatro letras embaixo, vais esquecer de toda essa amargura.

Mais sorte da próxima vez,

S.C.I

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